Mostrar mensagens com a etiqueta aveiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta aveiro. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de julho de 2018

16 anos a recuar no tempo

Sou do tempo em que era feira e não viagem
Sou do tempo em que tal evento era coragem
Sou do tempo em que não circulava euro mas reais
Sou do tempo de poucas representações teatrais

Vi crescer comigo um lugar que é do tempo
Onde menina, moça, mulher, senti contentamento
Hoje é conhecido e premiado internacional
Terra pequena e minha é orgulho de Portugal

Sinto emoção no anúncio de um novo reinado
No apertar no pulso o que me leva ao outro lado
Onde reina o amor à pátria e saboreamos a vitória
Um lugar que faz parte e é a minha, a nossa, história

Susana Lima
05.07.2018
Moeda em circulação na Viagem Medieval em Terra de Santa Maria em 2002


domingo, 3 de dezembro de 2017

Perlim

Por um portal pintado à mão
Entra-se num mundo de fantasia
Onde reina a diversão
O sonho e a magia 

Parece imaginado por uma criança 
Tudo em si é alegre e colorido
Desde os gigantes doces da Lapónia
Às brilhantes luzes do Castelo 

O lago é gelo aparentemente 
Na sua margem, uma aldeia de fadas 
Flocos de neve caem suavemente 
E luzes coloridas iluminam repuxos de água 

Piratas roubam tesouros
Princesas salvam o Natal 
Os teatros mantêm pequenos olhos
Atentos até ao final

A música é uma constante 
Natalícia ou de desenhos de animação
Clássicos que encheriam uma estante
Enchem-se de arte de pequenas mãos

Olhando-se as árvores com atenção
Encontram-se meninos cheios de coragem
Atravessam o céu num foguetão
Escalam e deslizam, desfrutando da viagem

Não esquecer o Pai Natal
Atento a todos os pedidos
Na sua casa com caixa postal
Trenó à porta e alguns embrulhos

Naquela aldeia em que todas as casas têm doces
Se vêem renas e as árvores têm estrelas
O comboio pára na estação
E leva os visitantes a conhecer todas as ruelas

Isto é Perlim
Uma quinta de sonhos
Obrigada por lerem até ao fim
Um bom Natal a todos!

Susana Lima
01.12.2017

Castelo de Santa Maria da Feira, iluminado no âmbito do evento Perlim - Uma quinta de sonhos, Aveiro, Portugal

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sensações

É como um pincel carregado de tinta
Que pinta o céu e tinge o mar
É um círculo que tudo abrange e tudo toca
Que aquece o corpo, a alma e o ar

Essa roda vermelha, laranja, amarela
Transborda beleza em cada mutação
Transforma a água límpida em aguarela
Que se exibe a cada ondulação


Susana Lima
07.10.2017

Praia de Espinho, Aveiro, Portugal



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Imaginarius

É festival internacional
De teatro de rua
Onde reina a imaginação
Que trouxe ao evento a denominação

As instalações de arte contrastam
Com a natureza e a arquitetura antiga
Fitas de cor com grandes olhos esvoaçam
E trazem aos monumentos nova perspectiva

Os teatros vão-se desenrolando
Há trapezistas, mágicos e marionetas
E o público vai participando
Tornando a actuação mais completa

Há risadas de palhaçadas,
Há emoção no coração,
Arquitetos que trabalham com ar
Constroem um colorido pavilhão

É testado o equilíbrio
E a força do ser humano
Num espectáculo que provoca
Expressões de alegria e espanto

Quando se torna escuro
As árvores iluminam-se de cor
Como se fadas as habitassem
E lhes dessem a beleza de uma flor

Casais pedalam pairando no ar
Largando balões de um véu
E Santa Maria é projectada no céu
Numa ópera de encantar

Não há nexo, nem lógica
Não parece exequível
É como um sonho, o fundo do nosso Imaginarius
Em que o impossível se torna possível

Susana Lima
27.06.2017

Espectáculo de grande formato "Pedaleando Hacia El Cielo" dos Theater Tol [BE], Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua 2017, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal



segunda-feira, 10 de abril de 2017

Ramos em Santa Maria da Feira

É Domingo de Ramos
Não tarda sai a procissão
Já está o povo habituado
Não fosse a vigésima edição

Carregam nas mãos os seus ramos
Que erguem para o padre benzer
Depois coloca-los-ão em vasos
Ou leva-los-ão para oferecer

Depois de terminada a benção
Assistem a encenação
Dos discípulos do Senhor
Que falam Dele com amor

Surge do fundo da mata do Castelo
Uma figura por todos conhecida
É Jesus Nazareno
Que vem dar à procissão mais vida

Montado num burrinho
É o centro da procissão
Olha as crianças com carinho
Que dançam com ramos na mão

A meio do caminho
São interpelados por Judeus
Que exigem a descrença do povo
Naquele que fora enviado por Deus

Não deixa o povo de acreditar
E de defender o Messias
Que numa voz calma a falar
Ensina que a guerra só destrói vidas

Ao longo da procissão
Há danças e vivas
Uma caminhada de fé e emoção
Com gente de várias freguesias

Susana Lima
09.04.2017

Jesus Nazareno representado pelo Grupo Gólgota, na Procissão de Ramos da Semana Santa de Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal

domingo, 9 de abril de 2017

Correr as Capelinhas

Iluminado por um sol intenso
Foi da Semana Santa o primeiro dia
Correr as capelinhas era o intento
No centro da terra de Santa Maria

Assim se iniciou caminhada
De cinco quilómetros de extensão
Por glicínias perfumada
Num evento com grande adesão

Património, história e religião
Cultura e saúde
Tanto importava a intenção 
Que reuniu gente de toda a idade

Iniciou-se na Matriz
Essa erguida ao padroeiro
É barroco o cariz
E valioso o azulejo

Seguiu-se a capela do castelo
Erguida à Senhora da Encarnação
Ainda que pequena, este templo belo
Tem Santa Luzia em repetição

Ao cimo de um monte chegados
É a vez da Capela da Senhora da Piedade
De material da terra são os trabalhos
Num dos mais belos altares da cidade

Por ruas e trilhos
Chegamos a degradada capela
Não imagina o povo a importância
Que a sua história encerra

Mandada erguer pelos Côrte-Real
Ao seu lado uma casa de senhorial ar
Foi berço de Marquês de Pombal
E do facínora de Inês de Castro lar

Uma pausa para doce tradicional
Da época e da região
Regueifa doce excepcional
Queijo e vinho para degustação

Depois, a Capela da Senhora de Campos
De dote à Rainha Santa oferecida
Nela contém imagem de roca
Por promessas vestida

Termina a caminhada
Na Capela de S. Miguel
Maravilhosa jornada
Ignoro até estar cansada

Susana Lima
08.04.2017


Identificação de participante no evento "Correr as Capelinhas", caminhada de 5km por 7 templos da cidade de Santa Maria da Feira; de fundo, a Igreja Matriz de Santa Maria da Feira ou Igreja de S. Nicolau, o padroeiro da Feira, Aveiro, Portugal


segunda-feira, 20 de março de 2017

Primavera, temos estado à tua espera!

O verde cobre-se de gotas de água fresca
As árvores despidas vestem-se de flores
O sol brilha mais e o céu é mais azul
É a mudança de estação que nos traz novas cores

Época que simboliza vida
Que torna mais prazerosos os passeios
Para mim, a estação preferida
Das aves ouvem-se alegres chilreios

Primavera,
Temos estado à tua espera!

Susana Lima
20.03.2017

Pequeno parque em Lourosa, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Festa das Fogaceiras

A origem foi uma terrível peste
Que atingiu a terra de Santa Maria
Como solução o povo promete
Uma oferta em cada ano no mesmo dia

Foi assim que surgiu um doce pão
A que deram o nome de fogaça
Para cumprir o voto ao mártir S. Sebastião
E livrar o povo para sempre da doença

O pão seria, conta a história,
Para distribuir pelos pobres a pé
Percebeu o povo a vitória
Que sobre a doença teve a sua fé

Assim ainda hoje no dia 20 de Janeiro
Reune-se o povo em procissão
Meninas vestidas de branco com fitas de cor
Levando à cabeça o prometido pão

Esse pão em forma de castelo
Do património da Feira o mais belo
Tem um sabor doce e peculiar
Impossível de não gostar 

Mantem-se assim a tradição
Que faz o povo percorrer a Feira
Em nome da promessa de um pão
Que trocam por saúde e protecção 

Susana Lima
05.01.2016

Fogaceiras na Festa das Fogaceiras de 2014, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal


domingo, 6 de novembro de 2016

Ri

Parece noite de Verão
Cine-teatro preparado no hall de entrada
Candeeiros de rua no palco de decoração
Toalhas que imitam azulejos deixam mesas enfeitadas

Os xailes tipicamente portugueses
Indicam que a noite é de fado
Mas este para fazer rir os presentes
Pois no Festival de Comédia é integrado

O início é marcado
Pelo Pátio das Cantigas
Humor de cenas antigas
Continua a ser apreciado

Segue-se o esperado fado
Que desperta riso geral
Enquanto é servida sangria
Petiscos e sobremesas no final

Vasco Santana de novo
Para a noite terminar
Fado do Estudante que deixa
Todos no regresso a cantar

Susana Lima
02.11.2016

Cenário preparado para Fado Humorístico com Constantino Soares, Ri - Festival Nacional de Comédia, Cine-teatro António Lamoso, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal

sábado, 17 de setembro de 2016

Reflexo do Passado

Fábricas antigas de calçado
Rotundas a cada quarteirão alcançado
Jardins frescos, cujas gotas reflectem céus
Indicam que entrámos na cidade dos chapéus

Também a calçada típica predomina
Parece terra antiga, mas que se manteve viva
Abundam os antigos casarões
Que fascinam só de olhar seus portões

Tudo em si é grandioso
Do telhado inclinado ao pilar vaidoso
Suas formas e cores distintas
E o entrelaçar do ferro em varandas com boas vistas

Na rua mantem-se o comércio tradicional
Que não fora destronado pelo 8.ª Avenida
Também se destaca salão de chá formal
Que dá ao lugar outra vida

Já devem ter adivinhado que terra é esta
Em que centro comercial usa chapéus
Mas desvendarei de qualquer maneira
Que se trata da bela S. João da Madeira

Susana Lima
16.09.2016

Portão de casarão, cidade de S. João da Madeira, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Taberna do Xisto

Não é necessária lanterna
O sol brilha com força no céu
Pedras de xisto guiam a taberna
Com encanto que a cobre como um véu

As bordas das janelas são de granito
Casa antiga bem recuperada
As árvores tornam o espaço mais bonito
E mais fresca a esplanada

À entrada lêem-se dizeres
Que convidam a olhar o castelo
Comunhão da cidade com a natureza
Complementada por património tão belo

Os sabores, esses, caseiros
Remetem à gastronomia portuguesa
Provocam salivar só os cheiros
Sem dúvida, onde temos maior riqueza

Chega a hora de partir
Visita à noite é incentivada
Prometem esplanada iluminada
Convívio e café de fazer sorrir

Susana Lima
03.09.2016

Restaurante Taberna do Xisto, Cidade de Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal


domingo, 14 de agosto de 2016

Auto-destruição

Antes fosse só desastre natural
O fogo que consome a natureza
Mão criminosa, como será normal
Atacar o que é digno da nossa defesa

O que antes era verde de frescura
Agora está a cinza reduzido
Dá tristeza tamanha secura
E pensar nos animais que terão morrido

Atentado contra a natureza
É também contra a humanidade
Pessoas desesperam por salvar bens da sua pertença
Que conquistaram e preservaram até àquela idade

Como é possível tal maldade?
Matar e prejudicar tantos seres vivos?
Será que pensam que assim alcançam felicidade?
E que não precisam do que destroem para se manterem vivos?

Eventualmente tudo irá passar
E recordaremos que o céu é azul
Mas não basta o fumo dissipar
Algo tem drasticamente de mudar!

Susana Lima
13.08.2016

Incêndio em pinhal por trás de campo de treinos na Cidade de Lourosa, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Cidade de Salinas

Não é rio mas ria
Esse canal de água salgada
Tranquila e fria
Só pelos moliceiros agitada

Moliceiros, esses barcos vaidosos
De proa erguida e esguia
Pintados com desenhos vistosos
Em que homens trabalharam noite e dia

Não esquecer os grandes edifícios
Majestosos, de pedra e grade trabalhada
Bem haja àqueles cujos ofícios
Era arquitectura em arte nova inspirada

No Rossio, um corredor de palmeiras
Na Avenida Santa Joana, o Museu e a Sé
Aveiro deslumbra de várias maneiras
Quem a percorre de carro ou a pé

Que gosto é passear nessa cidade
Mesmo quando está tipicamente ventosa
Apreciada por gente de toda a idade
E deixando a sua população orgulhosa

Susana Lima

Moliceiros e Ria de Aveiro, Cidade de Aveiro, Portugal

domingo, 31 de julho de 2016

Viagem Medieval

Mantem-se o espaço, muda o tempo
Terra de Santa Maria parte em viagem
Ouve-se música que inspira movimento
E esgrimir de espadas de coragem

O castelo ergue-se altivo

Em colina de onde se avista todo o território
Esse que D. Dinis planeou e incentivou cultivo
Após conquista por exército meritório

Mágico terá sido esse reinado

Em que pão que afinal é rosa espanta
Não só o rei é amado
Mas também Isabel, rainha e santa

A história é recordada e vivida

As cabeças coroadas de flores
Sorrisos à ida e à vinda
De local recheado de fitas de várias cores

Um bem haja à Viagem Medieval

Que o passado tão bem representa
Recorda a história e o nome de Portugal
E de seu povo que é mais do que aparenta

Susana Lima
27.07.2016


Viagem Medieval em Terra de Santa Maria, vista do Convento dos Lóios, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal