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terça-feira, 10 de julho de 2018

A Cidade Com Mais Vida

Nada pára esta cidade
Com os seus grandes BUS vermelhos
Com o UNDERGROUND de enorme profundidade
E os clássicos táxis impossível não vê-los

As margens das ruas estão cheias de gente
Uma cara da outra tão diferente
Mas a organização e disciplina exigente
Mantem-na uma cidade eficiente

A rua indica para que lado olhar ao atravessar
O metro indica o lado de circular e parar
Pede atenção ao fosso entre a carruagem e a plataforma
E tal tornou-se seu símbolo de certa forma

A arquitectura remete-nos à realeza
Com coroas a enfeitar topos
Em oposição, edifícios muito modernos
Espelham a cidade e a sua beleza

Refugiados do intenso frenesim
Chegamos a verdes parques
Onde o único som é o chilrear do chapim
E se vêem esquilos por toda a parte

Portas de cor, edifícios grandiosos,
Animais citadinos, jardins primorosos
É Londres, a Cidade Com Mais Vida
Que a vida pode mostrar

Susana Lima
10.07.2018

Tower Bridge na Cidade de Londres, Inglaterra, Reino Unido

sábado, 24 de março de 2018

Casinhas Amontoadas

O Porto é um jogo de casinhas amontoadas
De ruas que apertam num abraço
De calçadas que guiam cada passo

O Porto é um jogo de casinhas amontoadas
Que dá cor ao dia mais cinzento
Que dá sentido ao sentimento

O Porto não tem definição
É de todos e de ninguém
É livre como um pássaro e preso ao coração
Quem o conhece sabe o que é e o que tem

O Porto é um jogo de casinhas amontoadas
Onde se perde e onde se encontra 
Um presente a manter no presente 
Uma história que perdura 

Susana Lima
24/03/2018

Torre dos Clérigos e casas da cidade do Porto, Portugal

domingo, 19 de novembro de 2017

Venezia

Veneza é como um sonho suspenso na água
Com casinhas de bonecas de profundidade sem fim
Com torres de onde a admiramos fora do frenesim

Chapéus de palha de laços vermelhos
Camisolas às riscas e romântico cantar
É assim que nos apresentam a sua cidade os italianos
Que em gôndolas nos fazem pelos canais deslizar

Chegar a esta cidade é tal impacto
Não sabemos o que realmente esperar
Sair da estação e em contínuo acto
O reflexo na água de majestosos edifícios vislumbrar

As pontes não são apenas meios de unir margens
São obras arquitectónicas que atraem turistas
Os suspiros que um dia se ouviam de uma prisão
São substituídos por outros de paixão por tão belas vistas

A Praça de São Marcos é um acumular de tesouros
A Basílica, o Palazzo, o Museu e a Biblioteca
Deixam qualquer admirador de arte de boca aberta 
E o amante de fotografia perdido no que captar

Obrigada Venezia
Espero um dia regressar 
Recordar a tua perfeita elegância
Que me fez apaixonar 

Susana Lima
18.11.2017

Praça de São Marcos e ilha de São Giorgio Maggiore vistos do Campanário de São Marcos, Veneza, Itália

domingo, 9 de abril de 2017

Correr as Capelinhas

Iluminado por um sol intenso
Foi da Semana Santa o primeiro dia
Correr as capelinhas era o intento
No centro da terra de Santa Maria

Assim se iniciou caminhada
De cinco quilómetros de extensão
Por glicínias perfumada
Num evento com grande adesão

Património, história e religião
Cultura e saúde
Tanto importava a intenção 
Que reuniu gente de toda a idade

Iniciou-se na Matriz
Essa erguida ao padroeiro
É barroco o cariz
E valioso o azulejo

Seguiu-se a capela do castelo
Erguida à Senhora da Encarnação
Ainda que pequena, este templo belo
Tem Santa Luzia em repetição

Ao cimo de um monte chegados
É a vez da Capela da Senhora da Piedade
De material da terra são os trabalhos
Num dos mais belos altares da cidade

Por ruas e trilhos
Chegamos a degradada capela
Não imagina o povo a importância
Que a sua história encerra

Mandada erguer pelos Côrte-Real
Ao seu lado uma casa de senhorial ar
Foi berço de Marquês de Pombal
E do facínora de Inês de Castro lar

Uma pausa para doce tradicional
Da época e da região
Regueifa doce excepcional
Queijo e vinho para degustação

Depois, a Capela da Senhora de Campos
De dote à Rainha Santa oferecida
Nela contém imagem de roca
Por promessas vestida

Termina a caminhada
Na Capela de S. Miguel
Maravilhosa jornada
Ignoro até estar cansada

Susana Lima
08.04.2017


Identificação de participante no evento "Correr as Capelinhas", caminhada de 5km por 7 templos da cidade de Santa Maria da Feira; de fundo, a Igreja Matriz de Santa Maria da Feira ou Igreja de S. Nicolau, o padroeiro da Feira, Aveiro, Portugal


domingo, 15 de janeiro de 2017

Senhor da Pedra

Há muito tempo que é cristão
Mas começou por ser pagão
Sob um rochedo, esse altar
Que se ergue entre as ondas a rebentar

Quando o mar se encontra recuado
É possível a sua visita
Nessa praia que é da Europa
A décima mais bonita

Lêem-se dizeres em azulejo
De cada lado da entrada
É capela pequena mas vários santos vejo
Assim como areia por pés transportada

Para sair do rochedo é uma aventura
Com o mar a subir e a espuma a escorrer 
Sem molhar os pés é tarefa que perdura
Não há outra solução que não correr

A situação desponta gargalhadas
Entre pessoas desconhecidas
Que tinham em comum o desejo de visitar
O Senhor da Pedra, em Miramar

Susana Lima
14.01.2017

Senhor da Pedra, Praia de Miramar, Vila Nova de Gaia, Porto, Portugal


domingo, 30 de outubro de 2016

A Sorte de Viajar

A natureza é dona de um verde vibrante
O trânsito circula pela esquerda
A tranquilidade do Rio Liffey contrasta
Com a agitação do meio envolvente

Cidade movimentada, cheia de gente
Na Rua Grafton, cada loja a mais elegante
Toda aquela agitação do dia-a-dia
Culmina num pub com amigos e bebida

Os pubs coloridos e carregados de floreiras
À noite brilham com pequenas luzes como estrelas
Música celta e gargalhadas soam do seu interior
Convidando a entrar e a provar da cerveja o seu sabor

As Catedrais erguem-se escuras e pontiagudas
O chão de tijoleira com cada quadrado distinto
Os vitrais em que predomina o verde
E almofadas em ponto cruz em cada assento

Os museus já valem só pela arquitectura
O de história, o castelo e até a prisão
Também a universidade abre portas ao turista
E com a sua biblioteca causa emoção

Pelas ruas vêem-se casas de portas coloridas
E grandes lojas de recordações
Bençãos, trevos e duendes prometem sorte
E aos presenteados alegria nos corações

Fora de Dublin, cidade agitada
Campos, vacas e carneiros formam a paisagem
Castelo mais fotografado de contos de fada,
Cliffs of Moher e Galway para terminar a viagem

Belo país esse, a Irlanda
A tão procurada sorte está na verdade
Na visita a esta terra encantada
Que nos enche de cultura e felicidade

Susana Lima
30.10.2016

Rio Liffey, Cidade de Dublin, Irlanda

sábado, 17 de setembro de 2016

Reflexo do Passado

Fábricas antigas de calçado
Rotundas a cada quarteirão alcançado
Jardins frescos, cujas gotas reflectem céus
Indicam que entrámos na cidade dos chapéus

Também a calçada típica predomina
Parece terra antiga, mas que se manteve viva
Abundam os antigos casarões
Que fascinam só de olhar seus portões

Tudo em si é grandioso
Do telhado inclinado ao pilar vaidoso
Suas formas e cores distintas
E o entrelaçar do ferro em varandas com boas vistas

Na rua mantem-se o comércio tradicional
Que não fora destronado pelo 8.ª Avenida
Também se destaca salão de chá formal
Que dá ao lugar outra vida

Já devem ter adivinhado que terra é esta
Em que centro comercial usa chapéus
Mas desvendarei de qualquer maneira
Que se trata da bela S. João da Madeira

Susana Lima
16.09.2016

Portão de casarão, cidade de S. João da Madeira, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal

domingo, 28 de agosto de 2016

Um sonho chamado Porto

São recantos escondidos
Quadros que se formam
É o uso dos cinco sentidos
Para captar todos os aspectos que o adornam

Grandioso edifício
No cimo de escadaria
Representa nobre ofício
Da antiga companhia

À entrada, candeeiros pendurados
Biblioteca de séculos passados
Impressionante hall de entrada
De deixar boca aberta de espantada

Os grandes janelões
Os elegantes varandins
Os dourados brasões
O chão de mosaicos sem fim

Mais uma elegante escadaria
Por candeeiros iluminada
Direcciona a 40 anos de história
De magnífica pedra trabalhada

Corredores longos de percorrer 
Tectos iluminados e pormenorizados
Deixam os visitantes sem saber
Se estão a sonhar ou acordados

Entrada em nobre tribunal
Comércio de um lado, indústria de outro
Lei e justiça na língua original
Bancadas sem restauro que valem ouro

De Gustave Eiffel o gabinete
Ao lado a sala é do presidente
Retratos dos últimos cinco reis de Portugal
Madeira velha esculpida de forma original

O gesso imita madeira e bronze
O candeeiro pesa uma tonelada
Chegamos finalmente a salão
Com 20 quilos de folha dourada

Pelas ruas e ruelas
Com casas altas e esguias
Coloridas, e iguais a elas
Arte urbana mencionada por guias

Há varandas e janelas
Preenchidas de mil flores
Devem maior beleza a elas
E às suas vivas cores

Lanche entre amigos e passeio na baixa
Invicta que guarda em si tesouros como uma caixa
Cuja chave todos anseiam possuir
Para um dia voltar e desses tesouros usufruir

Susana Lima
27.08.2016

Palácio da Bolsa (Associação Comercial do Porto), Cidade do Porto, Portugal

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Senhora da Saúde

Que linda noite esta
Em que o destino é o Monte Murado
Caminho iluminado por luzes de festa
Gente a pé que provém de todo o lado

Há barracas de toda a espécie
De artigo de feira a artesanal
Gelados, farturas e porco no espeto
E um corredor de carrosséis sem final

Por fim, a capela
Iluminada por luzes de cores
Como todo o caminho até ela
E o interior recheado de flores

É uma capela pequena
Mas rica em pintura e talha dourada
Em honra de Nossa Senhora da Saúde
Encontra-se magnificamente enfeitada

No exterior, uma missa campal
Os peregrinos pedem saúde
Enchente nesta festa sem igual
Mesmo a ir embora chega gente amiúde

Susana Lima
15.08.2016

Capela da Senhora da Saúde em dia de festa, Monte Murado, Pedroso, Vila Nova de Gaia, Porto, Portugal 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Braga

Mais velha que a Sé
Mas no tempo conservada
Edificada a partir da fé
Igrejas a cada esquina virada

Palácios recordam histórias
Jardins alegram com as suas cores
Lojas, esplanadas e pastelarias
Em ruas enfeitadas com flores

No cimo de um dos montes
Situa-se lugar sagrado
Água brota de mil fontes
E o ar é do mais purificado

Avista-se escadório
Que com um santuário termina
Impressionante património
Rodeado de verde de muita estima

A subida é lenta pelo ascensor
O santuário majestoso por dentro
Tectos revelam talento de um pintor
E vêem-se preparativos de um casamento

Passeio pelo lago
Barcos a partir e a chegar
Hora de repouso e gelado
Fazem ao centro voltar

Os quarenta e três graus
Dificultam a descida
De 573 degraus
Que fará a subida!

Centro da cidade dos sinos
Esplanada, refresco e boa conversa
Parte o comboio para seus destinos
Mas no regresso fica a promessa...

Susana Lima
06.08.2016

Vista sobre Braga a partir de Bom Jesus do Monte



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Cidade de Salinas

Não é rio mas ria
Esse canal de água salgada
Tranquila e fria
Só pelos moliceiros agitada

Moliceiros, esses barcos vaidosos
De proa erguida e esguia
Pintados com desenhos vistosos
Em que homens trabalharam noite e dia

Não esquecer os grandes edifícios
Majestosos, de pedra e grade trabalhada
Bem haja àqueles cujos ofícios
Era arquitectura em arte nova inspirada

No Rossio, um corredor de palmeiras
Na Avenida Santa Joana, o Museu e a Sé
Aveiro deslumbra de várias maneiras
Quem a percorre de carro ou a pé

Que gosto é passear nessa cidade
Mesmo quando está tipicamente ventosa
Apreciada por gente de toda a idade
E deixando a sua população orgulhosa

Susana Lima

Moliceiros e Ria de Aveiro, Cidade de Aveiro, Portugal