segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Desprotegidos

Pensamos eleger alguém para o poder
Que faça o que não podemos fazer
Chega a hora e ficamos sem chão
Não temos organização, não temos protecção

Não há controlo sobre o fogo
Não há indicação de segurança
Casas, florestas, consumo de tudo
Famílias destruídas, sem esperança

Ajudas são enviadas
Mas não chegam ao destino
Como podemos confiar?
Encontrar aqui sentido?

Não há culpabilização
Não há responsabilidade
Com danos impossíveis de recuperação
Com vidas que se perderam em tenra idade

Resta sermos nós a compensar 
A lacuna do trabalho de outrem
Engolir em seco e acreditar
Que no Governo temos alguém

Quanto mais sangue será derramado
Até isto acabar?
Quanto mais território será queimado
Até o país não ter como respirar?
Quanto mais negro terá de se tornar o céu
Até não vermos a luz?
Quanto mais tempo teremos de suportar o peso desta cruz?

Susana Lima
15.10.2017

Céu coberto de fumo na Praia de Espinho, Aveiro, Portugal



terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sensações

É como um pincel carregado de tinta
Que pinta o céu e tinge o mar
É um círculo que tudo abrange e tudo toca
Que aquece o corpo, a alma e o ar

Essa roda vermelha, laranja, amarela
Transborda beleza em cada mutação
Transforma a água límpida em aguarela
Que se exibe a cada ondulação


Susana Lima
07.10.2017

Praia de Espinho, Aveiro, Portugal