domingo, 28 de agosto de 2016

Um sonho chamado Porto

São recantos escondidos
Quadros que se formam
É o uso dos cinco sentidos
Para captar todos os aspectos que o adornam

Grandioso edifício
No cimo de escadaria
Representa nobre ofício
Da antiga companhia

À entrada, candeeiros pendurados
Biblioteca de séculos passados
Impressionante hall de entrada
De deixar boca aberta de espantada

Os grandes janelões
Os elegantes varandins
Os dourados brasões
O chão de mosaicos sem fim

Mais uma elegante escadaria
Por candeeiros iluminada
Direcciona a 40 anos de história
De magnífica pedra trabalhada

Corredores longos de percorrer 
Tectos iluminados e pormenorizados
Deixam os visitantes sem saber
Se estão a sonhar ou acordados

Entrada em nobre tribunal
Comércio de um lado, indústria de outro
Lei e justiça na língua original
Bancadas sem restauro que valem ouro

De Gustave Eiffel o gabinete
Ao lado a sala é do presidente
Retratos dos últimos cinco reis de Portugal
Madeira velha esculpida de forma original

O gesso imita madeira e bronze
O candeeiro pesa uma tonelada
Chegamos finalmente a salão
Com 20 quilos de folha dourada

Pelas ruas e ruelas
Com casas altas e esguias
Coloridas, e iguais a elas
Arte urbana mencionada por guias

Há varandas e janelas
Preenchidas de mil flores
Devem maior beleza a elas
E às suas vivas cores

Lanche entre amigos e passeio na baixa
Invicta que guarda em si tesouros como uma caixa
Cuja chave todos anseiam possuir
Para um dia voltar e desses tesouros usufruir

Susana Lima
27.08.2016

Palácio da Bolsa (Associação Comercial do Porto), Cidade do Porto, Portugal

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Gatos

Silhueta perfeita
Olhos em oval
Bigodes compridos
Elegância de animal

O nariz em forma de coração
As orelhas levantadas e bicudas
As patas como pantufas
Escondem unhas pontiagudas

A cauda em linha recta
O equilíbrio mantem
Os olhos em alerta
Tornam-se negros e focam além

Curiosos felinos
Que dão saltos vertiginosos
Percorrem arames finos
Em desfile, vaidosos

Lugares altos e inalcançáveis
Serão os seus predilectos
Não esquecer também as caixas
Preferencialmente junto aos tectos

Gostam de caçar
Pássaros, ratos e insectos
Têm o seu peculiar ronronar
E são muito espertos

Que criaturas encantadoras estas
Carinhosas embora independentes
Dormem incontáveis sestas
Em várias posições diferentes

Lugares escondidos e apertados
Serão com certeza para se encaixar
Mas o colo do seu dono
Será o escolhido para sonhar

Susana Lima
16.08.2016

A minha gata Cookie

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Senhora da Saúde

Que linda noite esta
Em que o destino é o Monte Murado
Caminho iluminado por luzes de festa
Gente a pé que provém de todo o lado

Há barracas de toda a espécie
De artigo de feira a artesanal
Gelados, farturas e porco no espeto
E um corredor de carrosséis sem final

Por fim, a capela
Iluminada por luzes de cores
Como todo o caminho até ela
E o interior recheado de flores

É uma capela pequena
Mas rica em pintura e talha dourada
Em honra de Nossa Senhora da Saúde
Encontra-se magnificamente enfeitada

No exterior, uma missa campal
Os peregrinos pedem saúde
Enchente nesta festa sem igual
Mesmo a ir embora chega gente amiúde

Susana Lima
15.08.2016

Capela da Senhora da Saúde em dia de festa, Monte Murado, Pedroso, Vila Nova de Gaia, Porto, Portugal 

domingo, 14 de agosto de 2016

Auto-destruição

Antes fosse só desastre natural
O fogo que consome a natureza
Mão criminosa, como será normal
Atacar o que é digno da nossa defesa

O que antes era verde de frescura
Agora está a cinza reduzido
Dá tristeza tamanha secura
E pensar nos animais que terão morrido

Atentado contra a natureza
É também contra a humanidade
Pessoas desesperam por salvar bens da sua pertença
Que conquistaram e preservaram até àquela idade

Como é possível tal maldade?
Matar e prejudicar tantos seres vivos?
Será que pensam que assim alcançam felicidade?
E que não precisam do que destroem para se manterem vivos?

Eventualmente tudo irá passar
E recordaremos que o céu é azul
Mas não basta o fumo dissipar
Algo tem drasticamente de mudar!

Susana Lima
13.08.2016

Incêndio em pinhal por trás de campo de treinos na Cidade de Lourosa, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Braga

Mais velha que a Sé
Mas no tempo conservada
Edificada a partir da fé
Igrejas a cada esquina virada

Palácios recordam histórias
Jardins alegram com as suas cores
Lojas, esplanadas e pastelarias
Em ruas enfeitadas com flores

No cimo de um dos montes
Situa-se lugar sagrado
Água brota de mil fontes
E o ar é do mais purificado

Avista-se escadório
Que com um santuário termina
Impressionante património
Rodeado de verde de muita estima

A subida é lenta pelo ascensor
O santuário majestoso por dentro
Tectos revelam talento de um pintor
E vêem-se preparativos de um casamento

Passeio pelo lago
Barcos a partir e a chegar
Hora de repouso e gelado
Fazem ao centro voltar

Os quarenta e três graus
Dificultam a descida
De 573 degraus
Que fará a subida!

Centro da cidade dos sinos
Esplanada, refresco e boa conversa
Parte o comboio para seus destinos
Mas no regresso fica a promessa...

Susana Lima
06.08.2016

Vista sobre Braga a partir de Bom Jesus do Monte



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Cidade de Salinas

Não é rio mas ria
Esse canal de água salgada
Tranquila e fria
Só pelos moliceiros agitada

Moliceiros, esses barcos vaidosos
De proa erguida e esguia
Pintados com desenhos vistosos
Em que homens trabalharam noite e dia

Não esquecer os grandes edifícios
Majestosos, de pedra e grade trabalhada
Bem haja àqueles cujos ofícios
Era arquitectura em arte nova inspirada

No Rossio, um corredor de palmeiras
Na Avenida Santa Joana, o Museu e a Sé
Aveiro deslumbra de várias maneiras
Quem a percorre de carro ou a pé

Que gosto é passear nessa cidade
Mesmo quando está tipicamente ventosa
Apreciada por gente de toda a idade
E deixando a sua população orgulhosa

Susana Lima

Moliceiros e Ria de Aveiro, Cidade de Aveiro, Portugal

Praia do Norte

A areia sente-se suave nos dedos
O sol aquece o rosto
As ondas rebentam nos rochedos
Nesse belo mês de Agosto

O cheiro é de maresia
Os pulmões enchem-se desse ar
É estendida uma toalha macia
Sobre a qual se senta a olhar o mar

Entre as rochas formam-se pequenas poças
Vêem-se conchas, búzios e mexilhões
Esses que se reduzirão a areia
Onde alguém desenhará corações

Por fim, aventura-se na água fria
Não tarda em mergulhar
Estaria lá todo o dia
Até a pele engelhar

De cabelo molhado e pele salgada
Assiste ao céu iluminado
Pelas cores de fim de dia
Que acalmam o coração acelerado

Recolhe-se a toalha e o guarda-sol
É hora de a casa regressar
Também os pescadores puxam do anzol
Amanhã será outro dia a aproveitar

Susana Lima

Praia de Brito, S. Félix da Marinha, Vila Nova de Gaia, Porto, Portugal