quinta-feira, 5 de julho de 2018

16 anos a recuar no tempo

Sou do tempo em que era feira e não viagem
Sou do tempo em que tal evento era coragem
Sou do tempo em que não circulava euro mas reais
Sou do tempo de poucas representações teatrais

Vi crescer comigo um lugar que é do tempo
Onde menina, moça, mulher, senti contentamento
Hoje é conhecido e premiado internacional
Terra pequena e minha é orgulho de Portugal

Sinto emoção no anúncio de um novo reinado
No apertar no pulso o que me leva ao outro lado
Onde reina o amor à pátria e saboreamos a vitória
Um lugar que faz parte e é a minha, a nossa, história

Susana Lima
05.07.2018
Moeda em circulação na Viagem Medieval em Terra de Santa Maria em 2002


sábado, 24 de março de 2018

Casinhas Amontoadas

O Porto é um jogo de casinhas amontoadas
De ruas que apertam num abraço
De calçadas que guiam cada passo

O Porto é um jogo de casinhas amontoadas
Que dá cor ao dia mais cinzento
Que dá sentido ao sentimento

O Porto não tem definição
É de todos e de ninguém
É livre como um pássaro e preso ao coração
Quem o conhece sabe o que é e o que tem

O Porto é um jogo de casinhas amontoadas
Onde se perde e onde se encontra 
Um presente a manter no presente 
Uma história que perdura 

Susana Lima
24/03/2018

Torre dos Clérigos e casas da cidade do Porto, Portugal

quinta-feira, 8 de março de 2018

Igualdade

Parece de fácil realidade 
Mas é apenas uma utopia
A luta por uma igualdade
Que seja o nosso dia-a-dia

Se todos fizermos a nossa parte
Podemos construir um mundo ideal
Arregaça as mangas e fá-lo com arte
Um dia ser homem ou mulher será igual

Não são direitos do homem, mas humanos
Não é supremacia da mulher
São mãos dadas num mesmo caminho
Em que o destino é vencer

Susana Lima
08/03/2018


Túlipas amarelas, Praça de Gomes Teixeira (Leões), Porto, Portugal





domingo, 3 de dezembro de 2017

Perlim

Por um portal pintado à mão
Entra-se num mundo de fantasia
Onde reina a diversão
O sonho e a magia 

Parece imaginado por uma criança 
Tudo em si é alegre e colorido
Desde os gigantes doces da Lapónia
Às brilhantes luzes do Castelo 

O lago é gelo aparentemente 
Na sua margem, uma aldeia de fadas 
Flocos de neve caem suavemente 
E luzes coloridas iluminam repuxos de água 

Piratas roubam tesouros
Princesas salvam o Natal 
Os teatros mantêm pequenos olhos
Atentos até ao final

A música é uma constante 
Natalícia ou de desenhos de animação
Clássicos que encheriam uma estante
Enchem-se de arte de pequenas mãos

Olhando-se as árvores com atenção
Encontram-se meninos cheios de coragem
Atravessam o céu num foguetão
Escalam e deslizam, desfrutando da viagem

Não esquecer o Pai Natal
Atento a todos os pedidos
Na sua casa com caixa postal
Trenó à porta e alguns embrulhos

Naquela aldeia em que todas as casas têm doces
Se vêem renas e as árvores têm estrelas
O comboio pára na estação
E leva os visitantes a conhecer todas as ruelas

Isto é Perlim
Uma quinta de sonhos
Obrigada por lerem até ao fim
Um bom Natal a todos!

Susana Lima
01.12.2017

Castelo de Santa Maria da Feira, iluminado no âmbito do evento Perlim - Uma quinta de sonhos, Aveiro, Portugal

domingo, 19 de novembro de 2017

Venezia

Veneza é como um sonho suspenso na água
Com casinhas de bonecas de profundidade sem fim
Com torres de onde a admiramos fora do frenesim

Chapéus de palha de laços vermelhos
Camisolas às riscas e romântico cantar
É assim que nos apresentam a sua cidade os italianos
Que em gôndolas nos fazem pelos canais deslizar

Chegar a esta cidade é tal impacto
Não sabemos o que realmente esperar
Sair da estação e em contínuo acto
O reflexo na água de majestosos edifícios vislumbrar

As pontes não são apenas meios de unir margens
São obras arquitectónicas que atraem turistas
Os suspiros que um dia se ouviam de uma prisão
São substituídos por outros de paixão por tão belas vistas

A Praça de São Marcos é um acumular de tesouros
A Basílica, o Palazzo, o Museu e a Biblioteca
Deixam qualquer admirador de arte de boca aberta 
E o amante de fotografia perdido no que captar

Obrigada Venezia
Espero um dia regressar 
Recordar a tua perfeita elegância
Que me fez apaixonar 

Susana Lima
18.11.2017

Praça de São Marcos e ilha de São Giorgio Maggiore vistos do Campanário de São Marcos, Veneza, Itália

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Desprotegidos

Pensamos eleger alguém para o poder
Que faça o que não podemos fazer
Chega a hora e ficamos sem chão
Não temos organização, não temos protecção

Não há controlo sobre o fogo
Não há indicação de segurança
Casas, florestas, consumo de tudo
Famílias destruídas, sem esperança

Ajudas são enviadas
Mas não chegam ao destino
Como podemos confiar?
Encontrar aqui sentido?

Não há culpabilização
Não há responsabilidade
Com danos impossíveis de recuperação
Com vidas que se perderam em tenra idade

Resta sermos nós a compensar 
A lacuna do trabalho de outrem
Engolir em seco e acreditar
Que no Governo temos alguém

Quanto mais sangue será derramado
Até isto acabar?
Quanto mais território será queimado
Até o país não ter como respirar?
Quanto mais negro terá de se tornar o céu
Até não vermos a luz?
Quanto mais tempo teremos de suportar o peso desta cruz?

Susana Lima
15.10.2017

Céu coberto de fumo na Praia de Espinho, Aveiro, Portugal



terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sensações

É como um pincel carregado de tinta
Que pinta o céu e tinge o mar
É um círculo que tudo abrange e tudo toca
Que aquece o corpo, a alma e o ar

Essa roda vermelha, laranja, amarela
Transborda beleza em cada mutação
Transforma a água límpida em aguarela
Que se exibe a cada ondulação


Susana Lima
07.10.2017

Praia de Espinho, Aveiro, Portugal