sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Recomeço

Deu entrada Setembro
Mês de mudança desde que me lembro
Regresso ao trabalho e às aulas
Início de estação em que rodopiam folhas

As compras são dedicadas a papelaria
Cadernos de flores e canetas de cores
O cheiro a novo de livros de vários autores
Tudo para um começo com alegria

As lojas anunciam novas colecções
Dos armários saem vestidos frescos e calções
Para darem lugar a mangas compridas
Que exige o arrefecer dos dias

Resurge a vontade por práticas
Que pintam melhor a estação
Uvas, castanhas e abóboras
Mantas, livros e uma caneca na mão

Também a natureza apresenta outras cores
Castanho, amarelo e vermelho
Reservando o verde à esperança do recomeço
Que o mês reflecte como um espelho

Susana Lima
22.09.2016

Agenda escolar 2016/2017 Mr. Wonderful Portugal

sábado, 17 de setembro de 2016

Reflexo do Passado

Fábricas antigas de calçado
Rotundas a cada quarteirão alcançado
Jardins frescos, cujas gotas reflectem céus
Indicam que entrámos na cidade dos chapéus

Também a calçada típica predomina
Parece terra antiga, mas que se manteve viva
Abundam os antigos casarões
Que fascinam só de olhar seus portões

Tudo em si é grandioso
Do telhado inclinado ao pilar vaidoso
Suas formas e cores distintas
E o entrelaçar do ferro em varandas com boas vistas

Na rua mantem-se o comércio tradicional
Que não fora destronado pelo 8.ª Avenida
Também se destaca salão de chá formal
Que dá ao lugar outra vida

Já devem ter adivinhado que terra é esta
Em que centro comercial usa chapéus
Mas desvendarei de qualquer maneira
Que se trata da bela S. João da Madeira

Susana Lima
16.09.2016

Portão de casarão, cidade de S. João da Madeira, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Taberna do Xisto

Não é necessária lanterna
O sol brilha com força no céu
Pedras de xisto guiam a taberna
Com encanto que a cobre como um véu

As bordas das janelas são de granito
Casa antiga bem recuperada
As árvores tornam o espaço mais bonito
E mais fresca a esplanada

À entrada lêem-se dizeres
Que convidam a olhar o castelo
Comunhão da cidade com a natureza
Complementada por património tão belo

Os sabores, esses, caseiros
Remetem à gastronomia portuguesa
Provocam salivar só os cheiros
Sem dúvida, onde temos maior riqueza

Chega a hora de partir
Visita à noite é incentivada
Prometem esplanada iluminada
Convívio e café de fazer sorrir

Susana Lima
03.09.2016

Restaurante Taberna do Xisto, Cidade de Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal


domingo, 28 de agosto de 2016

Um sonho chamado Porto

São recantos escondidos
Quadros que se formam
É o uso dos cinco sentidos
Para captar todos os aspectos que o adornam

Grandioso edifício
No cimo de escadaria
Representa nobre ofício
Da antiga companhia

À entrada, candeeiros pendurados
Biblioteca de séculos passados
Impressionante hall de entrada
De deixar boca aberta de espantada

Os grandes janelões
Os elegantes varandins
Os dourados brasões
O chão de mosaicos sem fim

Mais uma elegante escadaria
Por candeeiros iluminada
Direcciona a 40 anos de história
De magnífica pedra trabalhada

Corredores longos de percorrer 
Tectos iluminados e pormenorizados
Deixam os visitantes sem saber
Se estão a sonhar ou acordados

Entrada em nobre tribunal
Comércio de um lado, indústria de outro
Lei e justiça na língua original
Bancadas sem restauro que valem ouro

De Gustave Eiffel o gabinete
Ao lado a sala é do presidente
Retratos dos últimos cinco reis de Portugal
Madeira velha esculpida de forma original

O gesso imita madeira e bronze
O candeeiro pesa uma tonelada
Chegamos finalmente a salão
Com 20 quilos de folha dourada

Pelas ruas e ruelas
Com casas altas e esguias
Coloridas, e iguais a elas
Arte urbana mencionada por guias

Há varandas e janelas
Preenchidas de mil flores
Devem maior beleza a elas
E às suas vivas cores

Lanche entre amigos e passeio na baixa
Invicta que guarda em si tesouros como uma caixa
Cuja chave todos anseiam possuir
Para um dia voltar e desses tesouros usufruir

Susana Lima
27.08.2016

Palácio da Bolsa (Associação Comercial do Porto), Cidade do Porto, Portugal

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Gatos

Silhueta perfeita
Olhos em oval
Bigodes compridos
Elegância de animal

O nariz em forma de coração
As orelhas levantadas e bicudas
As patas como pantufas
Escondem unhas pontiagudas

A cauda em linha recta
O equilíbrio mantem
Os olhos em alerta
Tornam-se negros e focam além

Curiosos felinos
Que dão saltos vertiginosos
Percorrem arames finos
Em desfile, vaidosos

Lugares altos e inalcançáveis
Serão os seus predilectos
Não esquecer também as caixas
Preferencialmente junto aos tectos

Gostam de caçar
Pássaros, ratos e insectos
Têm o seu peculiar ronronar
E são muito espertos

Que criaturas encantadoras estas
Carinhosas embora independentes
Dormem incontáveis sestas
Em várias posições diferentes

Lugares escondidos e apertados
Serão com certeza para se encaixar
Mas o colo do seu dono
Será o escolhido para sonhar

Susana Lima
16.08.2016

A minha gata Cookie

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Senhora da Saúde

Que linda noite esta
Em que o destino é o Monte Murado
Caminho iluminado por luzes de festa
Gente a pé que provém de todo o lado

Há barracas de toda a espécie
De artigo de feira a artesanal
Gelados, farturas e porco no espeto
E um corredor de carrosséis sem final

Por fim, a capela
Iluminada por luzes de cores
Como todo o caminho até ela
E o interior recheado de flores

É uma capela pequena
Mas rica em pintura e talha dourada
Em honra de Nossa Senhora da Saúde
Encontra-se magnificamente enfeitada

No exterior, uma missa campal
Os peregrinos pedem saúde
Enchente nesta festa sem igual
Mesmo a ir embora chega gente amiúde

Susana Lima
15.08.2016

Capela da Senhora da Saúde em dia de festa, Monte Murado, Pedroso, Vila Nova de Gaia, Porto, Portugal 

domingo, 14 de agosto de 2016

Auto-destruição

Antes fosse só desastre natural
O fogo que consome a natureza
Mão criminosa, como será normal
Atacar o que é digno da nossa defesa

O que antes era verde de frescura
Agora está a cinza reduzido
Dá tristeza tamanha secura
E pensar nos animais que terão morrido

Atentado contra a natureza
É também contra a humanidade
Pessoas desesperam por salvar bens da sua pertença
Que conquistaram e preservaram até àquela idade

Como é possível tal maldade?
Matar e prejudicar tantos seres vivos?
Será que pensam que assim alcançam felicidade?
E que não precisam do que destroem para se manterem vivos?

Eventualmente tudo irá passar
E recordaremos que o céu é azul
Mas não basta o fumo dissipar
Algo tem drasticamente de mudar!

Susana Lima
13.08.2016

Incêndio em pinhal por trás de campo de treinos na Cidade de Lourosa, Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal